PPP pode ser alternativa para garantir saneamento em Canoas

A abertura de capital da Corsan por meio de uma Parceria Público-Privada pode ser a alternativa para garantir investimentos na área de esgotamento sanitário. Mesmo com vários projetos para ampliação da rede de abastecimento de água, a companhia ainda enfrenta dificuldades para fazer a manutenção do serviço em Canoas. Até julho deste ano foram gastos cerca de R$ 326 mil com material de manutenção de redes e ramais.

O valor é bem inferior ao investido por outras autarquias que executam o mesmo serviço. O custo de sete meses equivale ao gasto mensal do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) em São Leopoldo, por exemplo. A cidade do Vale do Sinos tem uma área geográfica e população menores que Canoas.

Na última semana, os funcionários da Corsan fizeram um dia de paralisação. Entre outras questões, apontaram a falta de recursos humanos e de materiais para execução dos serviços de reparos na rede. O que resultaria na falta de condições para atender todas as demandas solicitadas pela população.
A informação é negada pelo presidente da Corsan, Luiz Zaffalon. Segundo ele, os problemas limitam-se a algumas demoras pontuais para a repavimentação, nos casos de reparos. "Os investimentos vão continuar até 2012", diz.

Ingresso da iniciativa privada
Luiz Zaffalon aponta vantagens na abertura do capital da Corsan por meio de uma Parceria Pública-Privada (PPP) para universalizar o esgotamento sanitário. O estudo para modelagem do Rio Gravataí foi entregue esta semana à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). A proposta engloba cinco municípios que compõem a bacia: Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada e Viamão.

De acordo com o presidente, seriam necessários pelo menos R$ 3 bilhões para garantir o esgoto sanitário de todas as residências e comércios destas cidades. "Nossa capacidade de endividamento não é compatível com este valor", revela. Ele calcula que a Corsan levaria entre 40 e 60 anos para universalizar o saneamento. "Por isso há uma grande tendência da iniciativa privada entrar", admite.

Previsão de investimentos de R$ 764 milhões em 25 anos
O estudo feito pela empresa Andrade Gutierrez e entregue ao Governo do Estado na semana passada prevê uma concessão de 25 anos e investimentos totais de R$ 764 milhões. De acordo com o diretor-comercial da empresa, Leonardo Salvaterra Treiguer, para cada R$ 1 milhão investido em obras de esgoto sanitário, são gerados 30 empregos diretos e 20 indiretos, além dos empregos permanentes na fase de operação do sistema.

Conforme o estudo, as obras de ampliação e construção de redes de coleta e das estações de tratamento de esgoto nos municípios de Canoas, Cachoeirinha, Alvorada, Viamão e Gravataí e seriam realizadas entre 2011 e 2015. O Estudo da Modelagem de Saneamento da Andrade Gutierrez será encaminhado para análise técnica da Unidade de PPP da Secretaria de Planejamento e Gestão.

Sindicato diz que é desnecessário
O secretário do Interior do Sindiágua, Rogério Ferraz, vê com preocupação a possibilidade de criação de uma PPP para o esgoto sanitário. E lembra que o governo federal já investiu R$ 1 bilhão em saneamento na região metropolitana por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é que no PAC 2 este valor dobre. "No momento em que a empresa está capitalizada ,não é necessário uma PPP para entregá-la para a iniciativa privada", avalia. Além disso, ressalta que quase todos os municípios já renovaram as concessões com a Corsan sem a abertura de capital.

Prefeito diz que proposta interessa
O prefeito de Canoas, Jairo Jorge, avalia a proposta da PPP para o saneamento. Ele considera o modelo interessante, já que Canoas poderia chegar a 70% de esgoto tratado em apenas quatro anos. "Hoje temos apenas 6% de tratamento", contabiliza.

Jairo afirma que a iniciativa privada tem mais capacidade de investir do que a Corsan. Só para Canoas, seriam R$ 300 milhões em recursos. "É uma questão de saúde pública e de preservação do meio ambiente", entende o prefeito.
Na próxima quinta, a empresa Andrade Gutierrez apresenta o estudo para os representantes da Associação de Prefeitos da Grande Porto Alegre.

Fonte: Diário de Canoas - http://diariodecanoas.com.br
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